O Voto ideológico

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Viajava para Santa Luzia e sintonizei o rádio numa estação de Serra Branca. Ricardo Coutinho era o entrevistado. Falou por quase 50 minutos. Um discurso de candidato mesmo. Ele parou com essa estorinha de só falar de 2010, em 2010.

Alguns pontos chamaram minha atenção na entrevista:

Estrategicamente Ricardo erra ao trilhar por um discurso em busca do dito “voto ideológico”. Qualquer político hoje sabe muito bem que no Brasil, o voto é o resultado do mais puro Marketing político e associado a um planejamento estratégico bem traçado, o resto é só administrar as picuinhas com “habilidades”, mesmo sabendo que para tomar sua decisão de votar em alguém, qualquer cidadão sofre uma sucessiva e ostensiva influencia de três aspectos: O ideológico, o eleitoral e o político.

O eleitor que Ricardo insiste em focar nos seus discursos representa 12% de todo universo em qualquer parte do brasil. É aquele cidadão que define muito bem o que é esquerda, direita e centro. O problema é que as coisas andam acontecendo de forma empírica, na base do vai ou racha e isso prova o amadorismo do coletivo girassol, que baseado na mega-sena que foi sua primeira eleição para prefeito na cidade de João Pessoa, acham que é possível reviver a mesma jogada.

Mesmo desgastado após a experiência de gestor que é pontuada de escândalos jamais esclarecidos, a imagem de Ricardo enquanto candidato é bastante positiva, principalmente por sua trajetória política anterior a experiência de gestor . Se falta carisma e empatia com o eleitor, falta também definir quem são seus apoiadores e quais os opositores.

Querer focar o início de sua campanha tendo como base uma salada política que navega de um extremo a outro com figuras como Luiz Couto, chegando ao outro extremo com Armando Abílio, que jamais pode ser exemplo de ideologia em lugar algum do planeta, é querer cair no discurso vazio feito espumas ao vento. Por acaso, desde quando o PSB viveu ou vive qualquer experiência para ser considerado um partido de esquerda? A verdade é que são muitos os picaretas que andam querendo uma união com Ricardo. Ricardo sozinho, ainda é o melhor aliado do Ricardo Candidato.

PARANDO EM CAMPINA GRANDE

Antes de chegar à cidade de Santa Luzia, uma parada obrigatória em um posto de gasolina. Tínhamos que fazer uma um pesquisa boca a boca. O entrevistador foi Emerson Machado, enquanto eu fiquei observando se durante as perguntas, ele induzia ou não os entrevistados.

No final de tudo chegamos à conclusão [que de cientifica não tem nada] que Ricardo Coutinho é um nome que o povo de Campina Grande já identifica com facilidade, a partir das obras feitas na cidade de João Pessoa. Nota-se a preço de hoje, que no embate entre Ricardo e Maranhão, o povo campinense escolhe Ricardo. No embate entre Veneziano e Ricardo, o mago deixa de existir. Confirmamos o que todos sabem: Campina divide-se ao meio entre Cássio e Veneziano. O Eleitor de Vené aceita votar em Ricardo quando a disputa é com Maranhão [que loucura]. O Eleitor de Vené quando é indagado na possibilidade de uma suposta união entre Ricardo e Cássio, mudam de idéia e dizem não para Ricardo com "menino" na jogada.


SANTA LUZIA DE EFRAIM FILHO

O deputado Efraim Filho confidenciou uma preocupação quanto à viagem de Cássio aos States. Mesmo sabendo da necessidade do repouso merecido, o DEM-TEEN teme que quando entrar setembro, a unidade entre prefeitos e lideres estejam ameaçadas pela força e cooptação do governador José Maranhão, que anda conversando 24 horas com “todo mundo pela Paraíba”.

Para Efraim Filho, a definição de 2010 já começou baseado em dois pilares: Expectativa de poder e expectativa de obras. Qual o prefeito que dará um “não” para um aceno de Zé, na promessa imediata de asfaltar o acesso de sua cidade que por décadas vive de lama e buracos? Perguntou o deputado.

UNIDADE

Políticos paraibanos e a máfia Italiana têm muita coisa parecida. Observando todos aqueles políticos unidos por laços de amor, sangue, ódio e segredos por tantas décadas, duvido muito que Ricardo Coutinho, que não conseguiu unir nem seu próprio partido e não é líder de ninguém, consiga com esse discurso [infanto-juvenil de disputas de grêmio estudantil] furar esse cerca de maldades e afetos.

Não consigo ver nem sentir, a imagem de Ricardo defendendo Cássio de acusações, discursos e debates que existirão com certeza. Será que esse povo ligado a Cássio gostará também? Claro que não.

Essa união entre Cássio e Ricardo é um dos maiores golpes na política que registraremos em poucos meses, anotem. No fim de tudo, Ricardo vai ficar sozinho, sem Maranhão que anda de cidade em cidade com sua bengala de ouro, e sem Cássio que voltará com a seguinte fala: What? Who?