A merenda escolar e a saída honrosa

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Em dezembro enviei correspondência eletrônica ao prefeito Ricardo Coutinho. Como nunca obtive resposta, resolvi publicar naquele dia, aqui no Blog do Clilson. No dia seguinte, foi feita a licitação. Não poderia ou talvez não devesse, mas foi feita. Estranhamente 30 dias após cancelamento do primeiro pregão 048/2008 realizado em novembro.

Aqui quando se faz uma denúncia, visando contribuir, é visto como adversário. Acredito que esse tipo de comportamento não colabora com a democracia. Desde o primeiro governo, estão utilizando o slogan 'Deixa o Mago trabalhar'. Nós deixamos. Trabalhe Mago! Quem está empatando?

Sou contra o pregão e a terceirização da merenda por três motivos:

1º) O Empreender-JP. Claro que é um projeto grandioso. Eis a contradição. O fato é que quatrocentas micro-empresas fornecem merenda para as escolas municipais no modelo de descentralização da merenda. Esses dados são da PMJP. E descentralizar a merenda foi promessa de campanha. Promessa de Ricardo.

2º) A SP Alimentação, empresa que papou o pregão, dispensa comentários.

3º) 1.170 trabalhadores da rede municipal de ensino, que ocupam funções de merendeiras e auxiliares de merenda e de serviço.

Jamais questionei a honestidade e lisura do “prefeito” neste imbróglio todo. Sempre fui firme em pedir o cancelamento para uma investigação transparente.As evidências apontam para um erro. Fiquei chocado ao ler a declaração do vereador Aristávora Santos, que por alguma ironia do destino hoje é líder do prefeito na CMJP. Outro equívoco. [Tavinho sempre teve a cara de Cícero. Sempre foi a segunda pele de Cícero. Foi secretário do Cícero, vice-líder de Cícero. Unha e carne do coletivo do caboclo].

Porque precipitado? Líderes buscam soluções e enfrentam problema político/administrativo sem jamais querer colocar a sujeira debaixo do tapete. A SP nem precisou contratar um advogado. Tavinho tratou de defender a empresa paulista. Como esse líder vem de outra escola, tratou de desqualificar os indícios.

A SP teve problemas em mais de 20 municípios. A cidade de São Paulo foi denunciada agora. Maceió teve problemas com a SP antes de 2007. A terceirização da merenda fede em Canoas, Sapucaia do Sul, Ourinhos, Barueri, Cotia, Guararema, Hortolândia, Itapevi, Itaquaquecetuba, Itatiba, Leme, Mauá, Osasco, Taubaté e agora em João Pessoa.

Eu poderia dizer a mesma coisa que uma amiga que acabara de enviuvar falou no velório : - Antes tarde do que nunca!

Para quem estiver esperando alguma crítica ao prefeito, caso ele tome tal atitude, pode tirar o cavalinho da chuva. Darei parabéns mesmo.

Continuarei vigilante. Às vezes acertando, às vezes errando.

O que dói é ver vereadores [ todos sem exceção ] quem não tem coragem de exercer um mandato popular dado, comprado ou franqueado pelo povo.

Vereador só serve para fiscalizar. Quem não fiscaliza, não vale uma moeda furada.
Antecipadamente, parabéns Ricardo Coutinho.

Espero ler essa notícia até esta quarta-feira de fogo.

“Prefeito suspende licitação da merenda e determina investigação urgente”e-mails para coluna no clilsonjr@gmail..com

“O PMDB é um partido corrupto” disparou o senador do PMDB-PE, Jarbas Vasconcelos na revista Veja

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Em entrevista a VEJA, o senador peemedebista Jarbas Vasconcelos diz que a maioria dos integrantes de seu partido só pensa em corrupção e que a eleição de José Sarney à presidência do Congresso é um retrocesso.

É enorme o peso que tem em um processo judicial o depoimento de uma testemunha ocular. Esse tipo de relato, quando dado de boa-fé e sem inconsistências, é decisivo na formação do veredicto. Na política, os testemunhos de personagens com intimidade com os fatos que revelam são igualmente poderosos. O processo que culminou com o impeachment do presidente da República Fernando Collor, em 1992, começou com um desses depoimentos, a espantosa entrevista que seu irmão concedeu a VEJA em maio daquele ano e que foi estampada na capa com a chamada "Pedro Collor conta tudo". A Carta ao Leitor daquela edição tinha o título "Depoimento que não se pode ignorar". Não foi. Dezenove semanas depois das revelações do irmão a VEJA, Collor deixava a Presidência. As Páginas Amarelas desta semana trazem um conjunto de revelações feitas pelo senador Jarbas Vasconcelos ao repórter Otávio Cabral, 37 anos, quatro dos quais na sucursal de Brasília. Elas constituem um depoimento que também não se pode ignorar.

Com 43 anos de política dedicados primeiro ao antigo MDB e depois ao PMDB, duas vezes governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos relata com a eloquência das testemunhas oculares que seu partido, hoje detentor das presidências do Senado e da Câmara, é uma agremiação que se move apenas por "manipulação de licitações, contratações dirigidas e corrupção em geral". A entrevista de Jarbas Vasconcelos a VEJA não deixa muitas opções a seus colegas de partido e, por consequência, ao Congresso: processam o senador por falta de decoro parlamentar, imolam-se em praça pública ou vestem a carapuça e começam a mudar seu comportamento. O Brasil precisa acompanhar muito de perto o desenrolar do depoimento do senador a VEJA. Ele tem tudo para ser o motor de um profundo e histórico processo de limpeza da vida pública brasileira.

Abaixo algumas das declarações de Jarbas Vasconcelos:


- Sarney e a presidência do Senado:
É um completo retrocesso. A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador [...]. Sarney vai transformar o Senado em um grande Maranhão.

- Rotina no Senado:
Às vezes eu me pergunto o que vim fazer aqui. Cheguei em 2007 pensando em dar uma contribuição modesta, mas positiva – e imediatamente me frustrei. Logo no início do mandato, já estourou o escândalo do Renan [Calheiros]. Eu me coloquei na linha de frente pelo seu afastamento porque não concordava com a maneira como ele utilizava o cargo de presidente para se defender das acusações. Desde então, não posso fazer nada, porque sou um dissidente no meu partido.

- Renan na liderança do PMDB:
Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem.

- A situação do PMDB:
O PMDB é um partido sem bandeiras, sem propostas, sem um norte. É uma confederação de líderes regionais, cada um com seu interesse, sendo que mais de 90% deles praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos.
Para que o PMDB quer cargos? Para fazer negócios, ganhar comissões. Alguns ainda buscam o prestígio político. Mas a maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção.

- O PMDB e a sucessão de 2010:
O PMDB vai se dividir. A parte majoritária ficará com o governo [Dilma Rousseff], já que está mamando e não é possível agora uma traição total. E uma parte minoritária, mas significativa, irá para a candidatura de [José] Serra. O partido se tornará livre para ser governo ao lado do candidato vencedor.

- O governo Lula:
Quando Lula foi eleito em 2002, eu vim a Brasília para defender que o PMDB apoiasse o governo, mas sem cargos nem benesses. Com o desenrolar do primeiro mandato, diante dos sucessivos escândalos, percebi que Lula não tinha nenhum compromisso com reformas ou com ética. [...] O grande mérito de Lula foi não ter mexido na economia. Mas foi só. O país não tem infraestrutura, as estradas são ruins, os aeroportos acanhados, os portos estão estrangulados, o setor elétrico vem se arrastando. A política externa do governo é outra piada de mau gosto. Um governo que deixou a ética de lado, que não fez as reformas nem fez nada pela infraestrutura agora tem como bandeira o PAC, que é um amontoado de projetos velhos reunidos em um pacote eleitoreiro. É um governo medíocre. E o mais grave é que essa mediocridade contamina vários setores do país.

- A popularidade do presidente:
O marketing e o assistencialismo de Lula conseguem mexer com o país inteiro. Imagine isso no Nordeste, que é a região mais pobre. Imagine em Pernambuco, que é a terra dele. Ele fez essa opção clara pelo assistencialismo para milhões de famílias, o que é uma chave para a popularidade em um país pobre.

- O Bolsa Família:
É o maior programa oficial de compra de votos do mundo. Há um benefício imediato e uma consequência futura nefasta, pois o programa não tem compromisso com a educação, com a qualificação, com a formação de quadros para o trabalho. [...] Há um restaurante que eu frequento há mais de trinta anos no bairro de Brasília Teimosa, no Recife. Na semana passada, cheguei lá e não encontrei o garçom que sempre me atendeu. Perguntei ao gerente e descobri que ele conseguiu uma bolsa para ele e outra para o filho e desistiu de trabalhar. Esse é um retrato do Bolsa Família.

- Os políticos:
A classe política hoje é totalmente medíocre. E não é só em Brasília. Prefeitos, vereadores, deputados estaduais também fazem o mais fácil, apelam para o clientelismo. Na política brasileira de hoje, em vez de se construir uma estrada, apela-se para o atalho. É mais fácil. Por que há essa banalização dos escândalos? O escândalo chocava até cinco ou seis anos atrás. A corrupção sempre existiu, ninguém pode dizer que foi inventada por Lula ou pelo PT. Mas é fato que o comportamento do governo Lula contribui para essa banalização.

- O PT:
O PT denunciava todos os desvios, prometia ser diferente ao chegar ao poder. Quando deixou cair a máscara, abriu a porta para a corrupção. O pensamento típico do servidor desonesto é: "Se o PT, que é o PT, mete a mão, por que eu não vou roubar?".

- A corrupção:
É um câncer que se impregnou no corpo da política e precisa ser extirpado. Não dá para extirpar tudo de uma vez, mas é preciso começar a encarar o problema.

- As chances de Dilma:
A eleição municipal mostrou que a transferência de votos não é automática. Mesmo assim, é um erro a oposição subestimar a força de Lula e a capacidade de Dilma como candidata. Ela é prepotente e autoritária, mas está se moldando. Eu não subestimo o poder de um marqueteiro, da máquina do governo, da política assistencialista, da linguagem de palanque. Tudo isso estará a favor de Dilma.

- O Futuro pessoal:
Não tenho mais nenhuma vontade de disputar cargos. Acredito muito em Serra e me empenharei em sua candidatura à Presidência. Se ele ganhar, vou me dedicar a reformas essenciais, principalmente a política, que é a mãe de todas as reformas. Mas não tenho mais projeto político pessoal. Já fui prefeito duas vezes, já fui governador duas vezes, não quero mais.

Nem o pulso pulsa mais...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009


Difteria
Dengue
Diabetes
Depressão
Dermatose
Discalculia
Disenterias
Dor de cabeça
Doença Celíaca
Doença de Chagas
Distrofia Muscular
Doença de Parkinson
Deputados Estaduais da Paraíba.

É patológica a situação da Assembléia Legislativa da Paraíba.
Novamente ontem a sessão foi "declaratória", e isso deixa qualquer um indignado, pois sessões declaratórias se repetem sem alguma justificativa. Ninguém trabalha mesmo!
Tá um faz de conta. Eles não fazem nada e agente paga a conta.

Uma conta cara, já que todos decidiram brincar com o povo ou brigar entre si.

A Assembléia Legislativa da Paraíba custou R$ 87.432.030,00 (oitenta e sete milhões, quatrocentos e trinta e dois mil e trinta reais) em 2007 e R$ 116.046.000,00 (cento e dezesseis milhões e quarenta e seis mil reais) em 2008. Estamos falando em cento e dezesseis milhões de reais.
Cada deputado que ultimamente só faz de conta, custa R$ 3.223.500,00 por ano aos paraibanos. São três milhões de reais.

Neste formato que se encontra, os 36 unidos estão piores que Bronquite, Leptospirose, Cancro, Sarampo, Catapora, Varíola, Caxumba e Gastrite.
Tétano, Hepatite, Febre Amarela e Conjuntivite. Derrame Cerebral, Coqueluche, Celulite, Faringite, Doença de Chagas e Labirintite.

A produção legislativa paraibana nem Freud explica: Psicologicamente é uma Assembléia que já tem Anorexia, Ansiedade, Bulimia, Claustrofobia, Depressão, Hipocondria, Histerias, Neurose, Sonambulismo, Transtorno bipolar e Xenofobia.

E para que serve um deputado? Um deputado poderia servir para muitas coisas. Para fiscalizar, para ajudar a governar melhor, para debater.

Hoje eles votam em causas próprias, atrapalham ou estão calados quando deveriam falar.

Na verdade, os deputados paraibanos das "últimas sessões" não servem para nada!

Deveriam renunciar os salários e doar para algum asilo..

Acredito sinceramente que os mais úteis dos inúteis, entre os 36, deve sentir vergonha na cara mesmo. Vergonha de está recebendo dinheiro do povo para brincar de política.

Na Assembléia Legislativa da Paraíba, nem o pulso pulsa mais ultimamente.

Polícia para quê precisa?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Retornava hoje do trabalho e nos Bancários parei para fazer algumas compras em frente à Praça da Paz. Ao me dirigir para pegar o carro no estacionamento, notei que havia do outro lado da rua aquelas Tendas da PM (sem policiais) que meses atrás havia provocado um debate público promovido pela mídia e abandonadas como eu havia registrado em 30 de março de 2008.


Não entendo como se mantém um Coronel como comandante de uma polícia que não consegue praticar o que a população espera: Uma Polícia Comunitária que crie redes de proteção social .

Talvez não sobre tempo na agenda do governador para ver que todos os postos idênticos a este estão abandonados há mais de um ano e ninguém faz nada. As tendas da PM demonstram nas devidas proporções o que se pode esperar de nossa segurança pública hoje.

Sempre recordo da música do conterrâneo Herbert Viana:

No beco escuro explode a violência
Eu tava preparado
Descobri mil maneiras de dizer o teu nome
Com amor, ódio, urgência
Ou como se não fosse nada
...
Mas nada perturba o meu sono pesado
Nada levanta aquele corpo jogado
Nada atrapalha aquele bar ali na esquina
Aquela fila de cinema
Nada mais me deixa chocado
Nada !


Eu não acredito mais na Polícia do Coronel Kelson nem do Secretário Eitel. Eles perderam o TESÃO. Sim o TESÃO, pois até pra fazer segurança pública tem que ter TESÃO sim.

Uma polícia que não descobre quem são os justiceiros que agem nas periferias, para mim não é polícia, pois no fim de tudo o pretexto de combater o crime, é ‘limpar’ a sociedade de pessoas consideradas ‘indesejáveis’.

Se não conseguem manter as ditas Tendas da PM de segurança que apresentava um efeito psicológico da presença da polícia, toquem fogo e retirem logo!

Cruel é ter que ver equipamentos de segurança como estes, abandonados e causando a sensação de que estamos sozinhos nesta guerra, estimulados pela herança da impunidade e sustentados pelo uso ideológico do discurso da crescente insegurança cidadã.

Polícia para quê precisa?